Entrevista com Lucas de Oliveira sobre a Marcha da Maconha

O que a Marcha defende?

O fato de a maconha ser proibida provoca problemas como violência, presídios cheios e morte todos os dias. É uma guerra sem fim. A Marcha da Maconha propõe uma revisão nas leis para que se regule a comercialização do produto, como se faz com álcool e cigarro, para inverter o processo: ao invés de o Estado gastar dinheiro, ele deveria arrecadar, taxando a produção e distribuição para alavancar recursos para investir em saúde pública, prevenção e publicidade. É preciso que se entenda isso, porque as pessoas pensam na Marcha da Maconha como uma apologia. A Cannabis se tornou proibida por questões econômicas e políticas, e não por razão de saúde. Para haver um avanço ela deve ser vista como uma questão de saúde pública.

O site do Instituto fala sobre usos recreativo, industrial e medicinal. Você poderia explicar quais são esses usos?

O sujeito que fuma maconha porque se sente bem e gosta da sensação que ela provoca é exemplo de uso recreativo. Esse uso deve representar uma parte pequena desta discussão, porque a Cannabis sempre esteve entre os produtos mais importantes da economia dos países. Tanto que a Coroa Portuguesa introduziu o cultivo da maconha no Brasil para concorrer e fugir do domínio da Inglaterra. A Cannabis sempre teve uma utilização em larga escala na indústria, na produção de tecidos, de cordas e de outros mais de 200 produtos, porque ela é uma planta muito fibrosa. Com o óleo de Cannabis e produtos derivados tem-se uma linha gigante de produtos fármacos que poderiam ser utilizados pela população. Isso seria um problema para a indústria farmacêutica, que vende e vicia a população com drogas que são legalizadas, e na verdade provocam um prejuízo gigante para as pessoas. Para o Brasil isso seria genial, porque temos condições muito boas de solo, água e incidência solar, e poderíamos nos tornar rapidamente líderes mundiais.

Se pensa em campanhas de conscientização do uso recreativo da maconha?

Não, nós não estamos defendendo o uso, não estamos falando que é bom. Muito pelo contrário, dizemos que o ideal é que a pessoas tenha uma vida saudável. Quem usa é por opção própria. A nossa intenção é salvar vidas e acabar como tráfego de drogas e a violência que tem causado mortes todos os dias e inverter o processo: fazer com que aquilo que hoje é um problema se torne uma solução.

A Marcha deveria ter acontecido no dia 8, mas foi cancelada por causa das chuvas e agora foi marcada para o dia 23. Quais as atividades previstas?

O encontro será no bar Koxixos, na Beira Mar Norte, a partir das 14 horas. Haverá um trio elétrico, bandas de reggae e vai ser uma manifestação divertida, vai ter eleição de fantasias… O que a gente está tentando fazer é tirar o estigma que foi criado de que maconheiro é vagabundo e bandido, isso não tem nada a ver. A gente tem o privilégio de ter na Marcha a presença de pessoas da mais alta qualificação, como advogados renomados, médicos, ex-conselheiros da Vale… Então nós não estamos aqui para fazer uma discussão de moleque, estamos aqui para discutir um problema social importante e que tem reflexo para todas as pessoas.

fonte: http://www.cotidiano.ufsc.br/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s